Não sei exatamente o ano dessa foto, a cidade era como ela quando começamos a namorar. Que saudade!
A diversão da nossa cidade eram as passagens de trens e foi numa delas que o vi pela primeira vez. Graça Moreira falou com ele e eu tive oportunidade de conhecer ligeiramente. Era como se um ímã me atraísse para ele.
De noitinha fui à casa da minha avó e passando pela praça vi os dois num banco. Fiquei triste, mas lembrei que tinha percebido que ele tinha espinhas. Era melhor assim. No entanto foi a última vez que eles se encontraram. Acabou o namoro.
Dias depois, estando em casa de Graça Moreira, ele passou com um violão e eu paguei o mico de perguntar uma besteira, só pra ter um motivo de conversar com ele. Acho que perguntei se tocava se ele não apertasse a corda, sei lá. Depois, bem depois, ele disse que me achou bem tolinha.
Estou contando pelo meu lado, mas antes disso, aconteceu um fato interessante. Ele ainda não me conhecia e um dia, vindo da manicure, passaram por mim Graça Teixeira e ele, estudantes do SENAI, que vinham com umas palhas de coco pra enfeitar uma barraca. Ela conta que ele falou: - Quem é essa menina? Adimirada ela disse: - Você não conhece Regina de Manoel Costa? E ele respondeu que não, mas que iria casar comigo. Ela riu e ele falou sério: - Se não for com ela, não caso com ninguém.
Anos depois, nos encontramos no BEC de Juazeiro do Norte e ela, também funcionária de outra cidade, contou para o gerente essa história. Virou uma lenda!
Quando nos aproximamos, criamos uma amizade que até me admiro do meu pai só ter percebido o exagero, um ano depois. Durante esse ano, Jevan e eu andávamos pra todo lugar, não nos desgrudávamos.
Lembro que houve uma vaquejada em Cedro e eu queria ir ver, mas amanheci com cólicas e e não ia poder ir. Quando ele chegou pra me pegar, eu estava sentada encostada em um poste de luz, com um canivete "brincando" de furar o braço, que já tinha inúmeros furos sangrando. Ele entrou (nesse tempo ainda podia) e falou pra minha mãe. Como num passe de mágica meu pai chegou com uma seringa e me colocou pra dormir.
Assim foi para Jevan: Arrastar uma semi louca que tinha tido meningite aos dois meses e há apenas 3 anos ainda tinha duas convulsões por dia, era depressiva e hoje sei, bipolar.
Mas aqui confesso: Ele foi para mim TUDO! Me entendia, parecia sentir o que eu sentia e manifestou um dom de, com um sorriso, conseguir colocar outro no meu rosto, ou, com um simples afago, enxugar as minhas lágrimas.
Foi depois desse primeiro ano que meu pai resolveu que estava demais e mandou que eu me afastasse dele. Quase morro. Liguei pra ele e contei. Então ele falou: E agora, como fica? E perguntou se eu queria namorar com ele. E eu achava que já éramos namorados. Ele era tão criança que estava preparando uma "declaração" e até tinha lido umas dicas num livro. A partir daí, namoramos oficialmente e separadamente.
Meu pai não aceitava saber que ainda andávamos juntos e colocou meus irmãos pra me vigiar. E meia cidade, para agradá-lo, também contava pra ele que nos viam juntos.
Dos meus irmãos, apenas Lininha e Tarciso eram meus cúmplice. Fiz um bolso interno na saia dela, do colégio e era por esse bolso que eu mandava e recebia nossas cartinhas. Ficávamos as vezes até dois meses sem nos falarmos pessoalmente, e por isso o namoro terminava tanto. Ele podia sair, ir dançar no clube com as nossas amigas e eu, presa em casa.
Assim foi para Jevan: Arrastar uma semi louca que tinha tido meningite aos dois meses e há apenas 3 anos ainda tinha duas convulsões por dia, era depressiva e hoje sei, bipolar.
Mas aqui confesso: Ele foi para mim TUDO! Me entendia, parecia sentir o que eu sentia e manifestou um dom de, com um sorriso, conseguir colocar outro no meu rosto, ou, com um simples afago, enxugar as minhas lágrimas.
Foi depois desse primeiro ano que meu pai resolveu que estava demais e mandou que eu me afastasse dele. Quase morro. Liguei pra ele e contei. Então ele falou: E agora, como fica? E perguntou se eu queria namorar com ele. E eu achava que já éramos namorados. Ele era tão criança que estava preparando uma "declaração" e até tinha lido umas dicas num livro. A partir daí, namoramos oficialmente e separadamente.
Meu pai não aceitava saber que ainda andávamos juntos e colocou meus irmãos pra me vigiar. E meia cidade, para agradá-lo, também contava pra ele que nos viam juntos.
Dos meus irmãos, apenas Lininha e Tarciso eram meus cúmplice. Fiz um bolso interno na saia dela, do colégio e era por esse bolso que eu mandava e recebia nossas cartinhas. Ficávamos as vezes até dois meses sem nos falarmos pessoalmente, e por isso o namoro terminava tanto. Ele podia sair, ir dançar no clube com as nossas amigas e eu, presa em casa.
Quando a gente conseguia se encontrar, era como se o céu tivesse descido. Nunca tive tanta emoção na minha vida e de todo jeito eu conseguia uma pequena oportunidade de estar perto dele. Nunca fui de dançar, mas inventei de participar de uma quadrilha de São João, só pra pegar na mão dele, naquela parte que uns vão passando us pelos outros.
Fugia também para o arredores, inventava um trabalho escolar e íamos passear. Graça Moreira era nossa cúmplice e ia conosco, pra ver se alguém se aproximava. Era nossa única amiga.
Inventava também de ir para o Colégio de noite com Lininha, que ninguém sabia que me acobertava, e ela ficava por lá enquanto a gente namorava. Foi num dia desses, quando eu já tinha 15 anos que demos o primeiro beijo. E eu não sabia como era! Mas nunca esqueci o local. Foi encostados numa lousa inutilizada e na porta de entrada, bem escondidos mesmo, que nos beijamos.
Acabei da saber, naquele momento, que eu não viveria mais sem ele.
Ao meio dia, antes do colégio, a gente passava pelo sindicato dos trabalhadores, onde havia uma sala para os estudantes. A gente subia para o outro andar e depois de tanto tempo o namora já não tinha nada de inocente. Hoje penso até que devia ter aproveitado mais. Éramos um do outro, separados por uma intolerância que nos causou tanto sofrimento.
O tempo foi passando, Jevan veio estudar no mesmo colégio e tivemos mais oportunidade de nos ver, mesmo de longe.
Certa vez pedi ao meu pai pra ir para a Semana Universitária de Várzea Alegre, prometendo que o namoro estava acabado. Passamos a noite inteira dançando no meio do pessoal pra ninguém conhecido nos ver, mas o inimigo estava na nossa própria casa. Helena, minha tia, não ligava que a gente namorasse, mas comentou isso em casa e outra tia, no mesmo dia, contou ao meu pai.
Chegando enfadada, deitei numa rede pra dormir um pouco, quando acordei com meu pai quase me jogando fora da rede, gritando que eu tinha feito ele de corno, que o tinha enganado. Isso já era o ano de 1977, ou seja 3 anos de sofrimento. Eu falei que tinha mesmo dançado com ele. Foi a vez que andei mais perto de levar uma surra, o que nunca aconteceu. Ele voltou pra farmácia e eu fiquei encolhida na rede, curtindo minha dor.
Em Cedro tinha um club, único, que quando dava, eu aparecia por lá e, como eram raras essas oportunidades, a gente aproveitava pra namorar de verdade. E essa acabou sendo a solução. Um diretor do clube fez reclamação para Lourival e ele resolveu intervir.
Lourival Pereira era um rapaz que morava conosco e por quem papai tinha imensa consideração. Nesse dia ele resolveu interferir e usou bons argumentos, entre eles a possibilidade de que a gente fugisse, moda da época, ou que eu aparecesse grávida, coisa bem possível. E meu pai volta. Aí foi mesmo um passe de mágica. Há poucos minutos o mundo desabava em minha cabeça e agora ele me liberava pra namorar até em casa.
Mandei um recado pra Jevan e de noitinha fomos passear na praça da Matriz, de mãos dadas. Todo mundo nas calçadas, pasmos, e um senhor amigo do meu pai vestiu paletó e foi na minha casa alertar meu pai.
O sofrimento teoricamente acabou, mas ele nunca aceitou de verdade o namoro e alguns irmãos incentivavam também. Pelo menos a gente podia ficar juntos.

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